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UMinho abre caminho a tratamento para cancro da mama resistente à quimioterapia Voltar

quarta-feira, 30/09/2026    Campus de Gualtar, Braga
Laboratório do CEB (foto: CEB)
Liderado pelo CEB/UMinho e com parceria do ICVS/UMinho e da Universidade de Vigo, o projeto CheMAP usa rastreios genéticos para identificar mecanismos que tornam o cancro da mama triplo-negativo (um dos mais agressivos) resistente à quimioterapia, para encontrar vulnerabilidades genéticas nessas células tumorais e potenciais alvos terapêuticos. Dura até agosto de 2027 e é financiado com 60 mil euros pela FCT.
O cancro da mama triplo negativo (CMTN) é considerado o subtipo mais agressivo desta doença e as opções terapêuticas existentes continuam a ser limitadas. O projeto CheMAP, coordenado pelo Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Escola de Engenharia da UMinho, pretende mudar este cenário através da identificação de novas vulnerabilidades genéticas em células tumorais resistentes à quimioterapia, abrindo caminho ao desenvolvimento de terapias mais personalizadas e eficazes.

Mesmo com os avanços registados na área da oncologia, a quimioterapia continua a ser uma das principais abordagens terapêuticas para o tratamento do CMTN. No entanto, muitos doentes desenvolvem resistência às antraciclinas, que estão entre os quimioterápicos mais utilizados, o que aumenta o risco de recidiva, progressão da doença e mortalidade. A descoberta de novas estratégias para eliminar estas células é uma das principais necessidades clínicas neste contexto.

Para responder ao desafio, o CheMAP combina tecnologias de screening genómico em larga escala, sequenciação de alto rendimento e ferramentas avançadas de bioinformática para identificar genes essenciais à sobrevivência das células tumorais resistentes à quimioterapia. O objetivo é encontrar novos alvos terapêuticos capazes de travar o crescimento do tumor e potenciar o desenvolvimento de tratamentos mais direcionados.

Estas abordagens permitem analisar milhares de genes em simultâneo e compreender de que forma influenciam a evolução das células tumorais. A integração destes dados com ferramentas de bioinformática ajuda a identificar padrões e a priorizar os genes com maior potencial como alvos terapêuticos. Desta forma, é possível obter uma visão abrangente dos mecanismos moleculares associados à resistência à quimioterapia.

Detetar genes mais letais e fragilizá-los na quimioterapia

Por outro lado, os genes que apresentem maior impacto letal serão avaliados individualmente para validar a sua capacidade de reduzir a resistência à quimioterapia, o que representa um enorme potencial para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas personalizadas que melhorem significativamente a vida dos pacientes com esta doença.

O projeto encontra-se numa fase inicial, estando a ser implementadas e otimizadas as metodologias experimentais e computacionais que irão suportar as próximas fases da investigação. Contudo, os progressos alcançados já permitem avançar para a identificação e caracterização de novos alvos moleculares associados ao CMTN.

Além do CEB, o projeto tem a colaboração da Universidade de Vigo, na componente de bioinformática, e do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde (ICVS) da Escola de Medicina da UMinho, responsável pelos estudos de screening in vivo.

A longo prazo, a identificação de genes essenciais para a sobrevivência das células tumorais resistentes à quimioterapia permitirá criar terapias mais eficazes e direcionadas, capazes de atuar sobre vulnerabilidades específicas desta doença. Estes avanços são cruciais para desenvolver tratamentos personalizados, com maior taxa de sucesso e menos efeitos secundários. Ao contribuir para uma melhor compreensão dos mecanismos de resistência à quimioterapia, o CheMAP poderá ainda ajudar a melhorar o prognóstico, a sobrevivência e a qualidade de vida das pessoas afetadas.

+Info: www.ceb.uminho.pt, CEB
Laboratório do CEB (foto: CEB)
CheMAP