O cancro da mama triplo
negativo (CMTN) é considerado o subtipo mais agressivo desta doença e as opções
terapêuticas existentes continuam a ser limitadas. O projeto CheMAP,
coordenado pelo Centro de Engenharia Biológica (CEB) da Escola de Engenharia da UMinho, pretende mudar este cenário através da identificação de novas
vulnerabilidades genéticas em células tumorais resistentes à quimioterapia,
abrindo caminho ao desenvolvimento de terapias mais personalizadas e eficazes.
Mesmo com os avanços
registados na área da oncologia, a quimioterapia continua a ser uma das
principais abordagens terapêuticas para o tratamento do CMTN. No entanto, muitos doentes desenvolvem resistência às
antraciclinas, que estão entre os quimioterápicos mais utilizados, o que
aumenta o risco de recidiva, progressão da doença e mortalidade. A descoberta
de novas estratégias para eliminar estas células é uma das
principais necessidades clínicas neste contexto.
Para responder ao desafio, o CheMAP combina tecnologias de
screening
genómico em larga escala, sequenciação
de alto rendimento e ferramentas avançadas de bioinformática para
identificar genes essenciais à sobrevivência das células tumorais resistentes
à quimioterapia. O objetivo é encontrar novos alvos terapêuticos capazes de
travar o crescimento do tumor e potenciar o desenvolvimento de tratamentos
mais direcionados.
Estas abordagens
permitem analisar milhares de genes em simultâneo e compreender de que forma
influenciam a evolução das células tumorais. A integração destes dados com
ferramentas de bioinformática ajuda a identificar padrões e a priorizar os
genes com maior potencial como alvos terapêuticos. Desta forma, é possível
obter uma visão abrangente dos mecanismos moleculares associados à
resistência à quimioterapia.
Detetar genes mais letais e fragilizá-los na quimioterapiaPor outro lado, os genes que apresentem maior impacto
letal serão avaliados individualmente para validar a sua capacidade de
reduzir a resistência à quimioterapia, o que representa um enorme potencial
para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas personalizadas que
melhorem significativamente a vida dos pacientes com esta doença.
O projeto encontra-se numa
fase inicial, estando a ser implementadas e otimizadas as metodologias
experimentais e computacionais que irão suportar as próximas fases da
investigação. Contudo, os progressos alcançados já permitem
avançar para a identificação e caracterização de novos alvos moleculares associados
ao CMTN.
Além do CEB, o projeto tem a colaboração da Universidade de Vigo, na componente de
bioinformática, e do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e da Saúde
(ICVS) da Escola de Medicina da UMinho, responsável pelos estudos de
screening
in vivo.
A longo prazo, a
identificação de genes essenciais para a sobrevivência das células tumorais
resistentes à quimioterapia permitirá criar terapias mais eficazes
e direcionadas, capazes de atuar sobre vulnerabilidades específicas desta
doença. Estes avanços são cruciais para desenvolver tratamentos
personalizados, com maior taxa de sucesso e menos efeitos secundários. Ao contribuir para uma
melhor compreensão dos mecanismos de resistência à quimioterapia, o CheMAP poderá ainda ajudar a melhorar o prognóstico, a sobrevivência e a qualidade
de vida das pessoas afetadas.
+Info: www.ceb.uminho.pt,
CEB