terça-feira, 06/12/2016
O curso
de Medicina da Universidade do Minho passará a integrar uma formação em cuidados
paliativos após a assinatura, no final do mês de Novembro, de um protocolo
entre a Escola de Medicina e o Ministério da Saúde.
A Escola de Medicina da Universidade
do Minho (UM) assinou um protocolo com o Ministério da Saúde que tem em vista a
formalização da implementação de formação especializada em cuidados paliativos
nos curricula académicos. Desde o presente ano letivo, o programa em cuidados
paliativos está integrado no curso de Medicina.
Este tipo de formação especializada
vai estender-se aos grupos profissionais dos enfermeiros e dos psicólogos, que
poderão fazer subespecializações nesta área. Miguel Julião, doutorado em
Cuidados Paliativos e um dos responsáveis por esta formação, sublinha que, com
esta alteração, se pretende que “cada aluno seja chamado a reflectir acerca da
pessoa humana, a sua dignidade, os seus limites, vulnerabilidades e
potencialidades no decurso da sua enfermidade avançada e incurável”.
O programa a
ser incluído no Mestrado Integrado em Medicina da UM baseia-se num documento da
European Association for Palliative Care e pretende abordar os cuidados
paliativos a partir de três vertentes: o conhecimento, a capacidade de
execução, e as atitudes, avaliadas através da discussão e reflexão. “O nosso
desejo é o de que nenhum estudante de medicina se inicie na nobre profissão
médica sem conhecer e interiorizar a medicina paliativa, a capacidade de tratar
holisticamente o seu semelhante quando não existir a cura, escutando,
tornando-se permeável ao sofrimento e à emergente necessidade de o aliviar em
todas as suas formas”, conta Julião.
Apesar de ter sido criada em 2012, a rede nacional de
cuidados paliativos não foi implementada. Neste momento, um terço dos hospitais
nacionais não tem equipas especializadas em cuidados paliativos. No caso dos
centros de saúde, em Julho deste ano existiam apenas 18 equipas em todo o país.
Miguel Julião considera que, para além da prestação de cuidados assistenciais,
a rede nacional de cuidados paliativos deve também ser geradora de
“investigação clínica cujos resultados tragam benefícios à vida das pessoas que
padecem, suas famílias e aos sistemas de saúde que as cuidam”.
O Ministério da Saúde quer aumentar
a rede de cuidados paliativos e vai dar uma majoração financeira aos hospitais
e agrupamentos de centros de saúde que invistam na criação de equipas
especializadas. Estima-se que existam 82 mil pessoas com necessidades de
cuidados paliativos em Portugal. Apesar desta realidade, o médico Miguel Julião
refere que “o ensino pré e pós-graduado nesta área é ainda escasso e, do ponto
de vista académico, pouco avaliado e frequentemente visto como desnecessário”.